domingo, 13 de março de 2011

Confuso e doloroso

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A gente me dói. Escrever sobre isso é quase uma sessão de masoquismo. Em geral vivo bem tranquila sem você, até que, de repente, sinto uma falta enorme onde eu preciso muito resgatar um pedaço meu que ficou dentro de ti, aí te procuro entre bilhetes, fotos e lembranças, por vezes dolorosas.
Você é um desses caras que deveriam vim com um manual de instrução ou, no mínimo, como uma plaquinha empendurada escrita: CUIDADO! Para que as desavisadas pudessem se aproximar com a cautela que a palavra exige. O problema é que mesmo sem o manual e sem a plaquinha eu fui corajosa (leia-se louca) o suficiente para me aventurar nesse seu confuso mundo de sentimentos.
Sei que te perco toda vez que você me dá as costas, e enquanto você caminha para longe, vai me rasgando, me abrindo feito um zíper. E por isso peço, não se aproxime, porque eu não sei me distanciar. Olha, já são quase oito anos, infelizmente pensamento não sabe o que é distância, e por mais que você pense que eu não te conheça, eu te sinto e te sentir é saber muito a teu respeito. E não adianta fazer pose de pagador da night porque sei que na verdade o que você queria mesmo era está assistindo a tua série favorita, jogado no sofá enquanto recebe cafunés. Estou errada? E por que faz tanta questão de saber a minha opinião? A imagem refletida no espelho já não representa muita coisa e o teu RG revela somente o mínimo de você.
O que eu fui pra você? Uma paixonite de infância, uma promessa, um sonho bom? E elas? Um bom programa, um bom beijo de língua, uma noite incrível? Não tenta comparar, não. Eu vou perder. Ao longo desses anos pude me dar o prazer de ser espectadora dessa história e descobri que não sou insubstituível. Não importa se sou difícil de se ter, se para me conquistar é preciso atravessar desertos, lutar contra dragões; no fim, sou tratada como todas. E você hein, meu príncipe, quando foi que desencantou? Talvez nem tenha se encantado, talvez seja essa minha síndrome de Walt Disney que me complica e te amedronta.
Não sei o que você tem feito da sua vida, também não sei o que tenho feito da minha. E o que a vida fez das nossas vidas? Era pra ser pra sempre, mas o pra sempre, sempre acaba, já cantava Cassia Eller. Só sei que um certo dia bati o telefone e rasguei a página da agenda que tinha teu número, depois decorei uma sequência de outros números tentando apagar o inesquecível dois cinco três oitenta quatorze, na época. Que contradição, ainda lembro que as minhas tardes eram marcadas por uma espera angustiante ao lado do telefone aguardando tua ligação. E se você acha que eu transformei um comercial em novela mexicana, desista de ler!
Para você é fácil: ou finge estar bem ou realmente está bem. Entretanto não acredito na segunda opção, pois ao olhar pra ti, de primeira, pensa-se: Ah, mas ele é bonito, tem um bom papo, é charmoso, basta acessar a agenda do celular e a diversão é garantida. Durante pode até ser, mas depois, a volta é mais vazia que a ida. Apesar do cansaço o sono não vem, o travesseiro guarda lembranças. Faltou o beijo cheio de sentimentos, o olhar quase que eterno, aquele abraço que preenche vazios. O seu estado civil permanece solteiro, o coração não faz barulho, os olhos não brilham. Dançar com muitas, beijar as mais agradáveis, sair com algumas, esse jogo satura, essa brincadeira dói. Até quando você vai se enganar? Coração não é só um acessório. Você prefere viver a incerteza de que poderia ter dado certo, do que com a certeza de ter acabado em dor. Eu diria que é covardia. Você é confuso e consequentemente não muito determinado. Não é do tipo que rasga a página, apenas vira porque sabe que vai sentir vontade de ler de novo, independente do tempo que passar.
Você é do tipo que presente é ausente e na ausência se faz presença, entende?
Não fui nada tua (será que isso faz sentido?) e também não faço parte da tua vida (fato), mas tive a oportunidade de conhecer teus extremos, teu bem e teu mal, tua vontade carnal, teu frio emocional, tua indiferença e teu carinho, tudo muito confuso e doloroso, as únicas duas palavras que te definem perfeitamente. Você dói porque essa tua indecisão é massacrante. Vi o meu menino se transformar, não em um homem, mas em um monstro, assentimental, devorador de corações, durante a noite, e às madrugadas, perto do amanhecer, voltar a ser menino pedindo colo.
Acorda garoto! Todos gostam do que você aparenta ser, mas só uma vai gostar do que você realmente é.

sábado, 5 de março de 2011

A resposta dele

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Lembram do Texto "Ele"? Pois bem ele leu e respondeu...

"Engraçado como o tempo passa rápido, lembro do dia em quê e a vi pela primeira vez. Uma garotinha  pequenininha, meiga e com um sorriso fácil. Era uma boneca perfeita, daquelas que todos gostariam de ter, seja mulher ou homem, menino ou menina.
Parece que o destino age de uma forma contraditória. Eu não  gostava muito dela, achava irritante esse jeito extrovertido que só ela  tem. Era alegria 24 horas por dia, isso me incomodava. Bem, incomodava  não é o termo correto, na verdade isso me atraía, e é difícil aceitar  isso quando você tem apenas 14 anos. E quando dei por mim, já estava  encantado.
O tempo passou, eu mudei não nos falamos por um bom tempo, mas ela ainda permanecia em minha memória, como um resquício de  felicidade que talvez deva ficar no passado. Mas então o destino nos  coloca juntos novamente. E as lembranças que antes estavam ofuscadas,  voltaram com mais intensidade. Conversas jogadas fora, brigas, alegrias, as saias que ela usava (já vi sua calcinha várias vezes, hehe), o  sorriso lindo, enfim, ela estava do meu lado novamente. Esse reencontro  fez com que o meu lado infantil aflorasse novamente, foi como se eu  sentisse novamente a alegria de ser criança.
Hoje somos dois adultos  com alma de criança, dois adultos que viajam durante horas, perdidos em sua imaginação. Depois de todos esses anos, ela ainda me faz sorrir, faz com que eu seja novamente aquele garoto com estrelas nos olhos (como  ela costumava dizer), aquele garoto que era fascinado por Smallville, enfim, ela sempre foi e especial para mim.
Minha querida estrelinha  fico feliz por ter você ao meu lado novamente, prometa que será sempre
essa garota linda que você é. Estarei sempre aqui."
                                                                                       
A pergunta é... Aqui onde? Nos exporádicos esbarrões pelos corredores? No outro lado da tela ou somente no meu teimoso coração?
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Eu pedi tanto para que isso não acontecesse. Porque a vontade de te ver se transformou em medo. Medo da entrega sem explicações ou justificativas, medo das consequências dos encontros casuais que levantam esperanças em um e dá a certeza do fim ao outro.
E quando eu te encontrei depois daquele "bendito" esbarrão no corredor - ai que raiva de mim por não ter cuidado ao escolher os meus caminhos - não deu tempo pra mais nada, pensei em fugir, correr desesperadamente em direção contrária, mas já era tarde, eu já estava ali acolhida nos teus braços e mergulhada nos teus olhos.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Comestível e descartável

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Estou morrendo. Já percebo essa monotonia me envenenando dia após dia, e isso não é, de maneira alguma, poético. É estúpido, rídiculo, uma mulher como eu, emancipada de todos os preconceitos e convergências sociais, me deixar abater por essa nuvem cinza. Logo eu que sempre fui tão rosa-choque, tão cheia de mim, tão dona das minhas vontades. Errei quando esqueci das minhas crenças e preces de independência, quando sucumbi a um desejo passageiro que fez de mim não só comestível como também descartável. Mas aceito meu erro, porque se errar é humano, errar por amor é divino!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

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Hoje o céu estava nublado e o clima morno. As pessoas se movimentam vagarosamente, a cena estava toda em câmera lenta.
Ainda sonolenta senti no rosto o sopro de um vento forte que bagunçou meu cabelo. Senti frio, mas não havia levado casaco, aí eu me abracei, aí eu percebi o quanto eu estava só e me dei conta do quanto eu estava bem. É incrível como a minha solidão é fortalecedora!!!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Foi engano!

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Depois de tudo creio que eu já consiga ter maturidade suficiente para discernir lembranças de imaginação. Olhando essas fotos agora começo a perceber que metade do que eu via em você era o que eu queria ver, entende? Todo esse fascínio era apenas uma projeção minha, nunca foi você, no fundo, no fundo era só uma vontade desesperada de me encontrar em outro alguém.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Uma dor que não é minha

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Hoje eu não vou falar de você, nem da nossa separação e muito menos da minha dor. Eu vou falar de algo maior, vou falar do sofrimento que ultrapassa os limites, da dor que supera a carne, do nunca que será sempre nunca.
Ele nem era muito meu amigo, resolvi ir mesmo por consideração. Escolhi um modelo básico de preto, nada de acessórios e uma leve maquiagem para camuflar as olheiras e o rosto ainda com os aspecto de sono. O clima era pesado e o sentimento de perda irreparável visível. Tão novo, tão bonito, tinha um futuro promissor... as pessoas lamentavam. Não tive coragem de chegar mais perto, toda aquela atmosfera estava me deixando sensibilizada, foi aí que eu me deparei com aquele mulher ao lado dele, firme, serena, quase que petrificada. Os olhos não derramavam uma lágrima, mas os lábios tremiam, assim como suas mãos enquanto rezava um terço. Perguntei ao que estava ao meu lado, "é a mãe dele?" e obtive uma resposta positiva. Como assim? Me perguntei. Uma mãe que não chora, que não se descabela, será que ela era realmente a mãe dele? Fiquei ali por mais longos minutos observando aquela ação comedida, ela não olhava pra ele, olhava para frente, para o nada.
As pessoas começaram a esvaziar a sala, tinha chegado a pior hora, o enterro,então, no primeiro monte de terra eu vi aquela rocha desmoronar. O grito daquela mãe foi o barulho mais assustador que eu já ouvi na vida, era mais que um grito de dor, de desespero, era de amor. O maior amor do mundo. Como permitir que a vida leve o que saiu de você, o que por direito te pertence? Como entender que anos e anos de dedicação e cuidados, risos e choros serão apenas lembranças, muitas vezes entristecidas por aquela tarde chuvosa?
Ela não aguentou, saiu de cena carregada, o corpo porque a alma ficou ali do lado do filho tão amado.
Fui pra casa analisando tudo, era como um filme rodando em minha cabeça com direito à camera lenta. Talvez aquela quase indiferença, fosse na verdade a esperança. O desequilíbrio dos lábios e das mãos fossem uma prece, os olhos ora cerrados ora vidrados na porta a ilusão de que nada aquilo era verdade e que logo ele entraria por aquela mesma porta reclamando do juiz que anulou o gol que ele havia dedicado a ela.
Esse foi sem dúvida o episódio mais triste e revelador assistido por mim. A vida dessa senhora nunca mais será a mesma, e depois disso a minha concepção de amor também não.