sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Estalo de consciência. Prova do vestido e a coragem pra fugir.

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O dia tinha sido incrível. Almoçamos em um restaurante legal, fomos ao shopping e depois um cineminha para assistir àquele filme super engraçado que alegrou ainda mais nosso encontro. Dia perfeito, até que...
Cheguei em casa e prometi que iria só trocar de roupa, e foi aí que percebi que a bolsa que eu usava não estava combinando com o look escolhido para a noite. Joguei tudo na cama e notei que eu havia recebido uma mensagem. Era dele.
...
Tremi, o coração acelerou e provavelmente, eu havia ficado vermelha também. Meu namorado, na intenção de fazer surpresa, me abraçou por trás. Tive um sobressalto. Ele percebeu. Reparou em minha reação assustada e perguntou se havia algo errado. "Não!" respondi rapidamente. Ele insistiu olhando para o celular: "Alguém te ligou?. "Não" eu respondi com firmeza. "Foi só uma notícia ruim que li na internet agora", tentei convencê-lo. "Que notícia?". "Um avião que caiu na Turquia" (essa foi a primeira desculpa que me veio à mente). Meu namorado estranhou o porquê de tanta comoção e eu tentei me justificar com um falso patriotismo. "Alguns brasileiros estavam nesse avião. É sempre muito triste isso". Falei de forma tão melancólica que ele acreditou. Ele beijou minha testa e disse que me esperaria na sala. Quando ele saiu, eu desabei.
Desci as escadas como se eu tivesse indo à forca. Me aproximei dele e sussurrei ao seu ouvido: "Não quero mais ir a lugar nenhum". Ele ficou sem entender, tentou me convencer, mas nada. Meu dia havia acabado ali.
Me despedi dele na porta. Esperei ver o carro virando a esquina. Rezei para que ele não checasse as notícias do dia. Respirei fundo. Pensei em você. Pensei nele. Pensei em mim e no que eu estava fazendo ou tinha feito com a minha vida.
Voltei pro quarto, me tranquei e chorei. Foi neste dia que a consciência deu o primeiro estalo: "Você não o ama".
                                                                   ...
Eu antecipei a prova do vestido de noiva a pedido da sua mãe, que parecia muito mais ansiosa que eu. Esperamos por quase 40 minutos até adentrarmos aquela ampla sala cheia de espelhos. Quando vi o vestido achei bonito. Minha futura sogra já estava com os olhos marejados, mas eu não consegui sentir nada o vendo assim fora do meu corpo. Tudo mudou ao experimentar o vestido. Quando coloquei aquela peça branca em mim senti uma angústia no peito. Uma vontade de chorar. Sua mãe achou que era emoção e eu realmente também cheguei a pensar que fosse. Até que me olhei no espelho e a vendedora trouxe a tiara com o véu. Não me contive. Desabei em lágrimas soluçantes. Não era emoção, não era medo, era arrependimento. Essa foi a segunda vez que a minha consciência me alertou: "Você não o ama".
...
Eu sei que a nossa briga foi exagerada pelo meu excesso de drama. Drama esse que você já não suportava mais. Nossa convivência antecipada nos fez enxergar mais de perto os defeitos um do outro. Você me abandonou aos prantos em casa. Bateu a porta com força e saiu feito um louco da garagem. Imaginei que você estivesse indo para a casa da sua mãe. A essa altura só você poderia fazer isto, pois eu estava bem longe da minha. Telefone na mão, angústia no peito e uma dúvida para quem ligar. Disquei um número, que não estava na minha agenda de contatos, sem pestanejar. Ao ouvir a voz dele, tremi.

Voltei a sentir aquela mesma sensação de quando eu recebi sua mensagem. Conversamos pouco, mas um pouco que me fez sorrir a noite inteira. Ele preencheu o vazio e naquele momento eu já não precisava de ninguém, só dele.
Dois dias se passaram e o meu, agora noivo, voltou pra casa com alguns presentes. Me comportei feito uma gatinha domesticada, fiquei feliz, vibrei com os embrulhos e assim consegui esconder minha raiva e os meus planos. No terceiro dia, fugi.
E agora é isso. Não me importa mais casamento daqui a 11 dias. Não me importa mais se o vestido era bonito, se eu terei que arcar com as multas contratuais, não me interessa. Olha eu estou feliz! Eu estou do lado de um cara que não tem lá muito estudo e muito menos uma boa conta bancária. Ele não tem carro de luxo e nem pinta de playboy, mas ele é lindo. E tem o maior coração que eu já vi na vida. Eu reafirmo: "EU ESTOU FELIZ". E não, eu não te troquei por um moleque. Te troquei por um homem... o homem da minha vida!!!

1 comentários:

Rafael DelMontre disse...
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